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VIE EN ROSE

Desde 1989 a ver a vida em rosa.

10
Fev17

Cuidar dos teus quase meus

Já aconteceu algumas vezes cuidar de familiares de colegas de trabalho no meu serviço. Recentemente tem sido a avó de uma colega, a qual têm sido recorrentes as suas hospitalizações nos últimos meses. Devido às suas várias "estadias", ela acabou por se tornar conhecida de todos, pelo que toda a gente a mima e a adora pelo seu carácter forte! Há umas semanas atrás, transferimos-a para outro serviço visto que uma complicação tinha surgido após uma intervenção que ela tinha sido sujeita. Vi na cara da médica do serviço que a coisa parecia séria. Após umas semanas a ser acompanhada na especialidade devida, ela regressou ao nosso serviço num estado que nunca a tínhamos visto. Bastante degradada, confusa e obviamente sem sinais de melhoria. A minha colega foi receber a avó assim que a viu chegar, mas rapidamente deixou-nos sermos nós a instala-la devidamente no quarto, voltando mais tarde. Quando voltou, falou para a avó que ainda estava bastante confusa, e deu-lhe vários beijos no rosto começando a chorar. Foi tão difícil conter as lágrimas ao assistir a este momento, mas foi ainda pior sentir que daqui para a frente as coisas poderão se tornar mais duras.

Ao fim do turno ela já abria os olhos e já se ria para nós, e a memória que já lhe falha começava a voltar. Ficamos felizes por ver a avó da nossa colega um pouco melhor. A avó dela e quase nossa, depois de tantas vezes que cuidamos dela. Esta será mais uma, na qual daremos o nosso melhor...

22
Mai16

Dois anos a sorrir

Há dois anos atrás por esta hora eu não imaginava a luta que me esperava para voltar a sorrir. Uma luta que me devolveu um novo sorriso pelo qual eu batalhei.

Recentemente ao cruzar-me com uma paciente, parece que vi o meu próprio reflexo de há dois anos, quando olhei para ela a primeira vez. Percebi logo que ela não tinha sofrido um AVC, mas sim uma paralisia facial tal como eu. Conversamos e acabei por lhe contar que passei pelo mesmo, ainda que de forma reversível, ao contrário dela. Percebi-lhe a dor, e foi bom sentir que a suavizei ao contar a minha própria história. Uma história que é agora passado, um passado que doeu, mas do qual saí mais forte. 

Tenho plena consciência que este problema não foi nada de grave, o que eu só posso agradecer a Deus, porém não deixou de ser uma longa batalha! Qualquer que seja o problema que se apresente nas nossas vidas, temos sempre de pensar que há alguém pior que nós, porque é a mais pura verdade. É isto que vou transmitindo àqueles que vou cuidando, quando os sinto mais em baixo... porque eu também já estive mais em baixo, e sei que às vezes nos esquecemos disso mesmo: que somos afortunados com coisas bem simples, que nestes momentos parecemos esquecer.

Sei que nunca me esquecerei desta página que virei, a qual espero não voltar a ler, esperando unicamente que a vida continue a fazer-me sorrir! ♥

25
Dez15

Santa Claus is coming to work

Se há um ano passava este dia no alto da Tour Eiffel a deslizar maravilhada na pista de gelo, este ano não tenho a mesma sorte! Este Natal será partilhado com os meus colegas de trabalho e com aqueles que infelizmente não estão com saúde suficiente para estar no conforto dos seus lares. Vamos lá trabalhar cheios de espírito natalício ♥

26
Nov15

Cantam as nossas almas

No serviço onde trabalho, quando sabemos que um doente faz anos temos a possibilidade de pedir um bolo de aniversário para a hora de almoço. Um gesto simpático para aquelas pessoas que se encontram internadas durante um longo período de tempo, e para aqueles que nem sempre têm visitas, ou mesmo nenhumas. 

No mês passado, uma doente que lá se encontra há um longo período de tempo e a qual é bastante querida, celebrou os seus oitenta e seis anos, e obviamente que não quisemos deixar passar a data em branco.

Com o seu estado de saúde estabilizado em relação aos dias precedentes, convencemos a senhora a ir almoçar com os outros pacientes na sala de refeições, sob o pretexto de ser o seu aniversário e que lhe faria bem ver um pouco outras pessoas. Lá aceitou, sem suspeitar da surpresa que a aguardava.

Ao fim do almoço aparecemos com o bolo e cantamos-lhe os parabéns. Bastante surpreendida, a senhora acabou por largar lágrimas de emoção. E nós continuamos a cantar, tentando esconder a emoção que também sentimos naquele instante.

Um momento tão simples e fácil de proporcionar que preencheu o coração a todos! É tão fácil fazer os outros felizes e sentirmos essa felicidade simultaneamente, não é? ♥

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