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VIE EN ROSE

Desde 1989 a ver a vida em rosa.

26
Nov15

Cantam as nossas almas

No serviço onde trabalho, quando sabemos que um doente faz anos temos a possibilidade de pedir um bolo de aniversário para a hora de almoço. Um gesto simpático para aquelas pessoas que se encontram internadas durante um longo período de tempo, e para aqueles que nem sempre têm visitas, ou mesmo nenhumas. 

No mês passado, uma doente que lá se encontra há um longo período de tempo e a qual é bastante querida, celebrou os seus oitenta e seis anos, e obviamente que não quisemos deixar passar a data em branco.

Com o seu estado de saúde estabilizado em relação aos dias precedentes, convencemos a senhora a ir almoçar com os outros pacientes na sala de refeições, sob o pretexto de ser o seu aniversário e que lhe faria bem ver um pouco outras pessoas. Lá aceitou, sem suspeitar da surpresa que a aguardava.

Ao fim do almoço aparecemos com o bolo e cantamos-lhe os parabéns. Bastante surpreendida, a senhora acabou por largar lágrimas de emoção. E nós continuamos a cantar, tentando esconder a emoção que também sentimos naquele instante.

Um momento tão simples e fácil de proporcionar que preencheu o coração a todos! É tão fácil fazer os outros felizes e sentirmos essa felicidade simultaneamente, não é? ♥

19
Ago15

Manter o contacto

No tempo dos nossos avós a comunicação à distância era feita essencialmente através de correio, visto que os telefones não estavam acessíveis a todos. Ora actualmente com a explosão que as novas tecnologias têm sido nos últimos anos, os hábitos das pessoas têm mudado radicalmente! E se achávamos que os nossos avós não iam acompanhar a evolução, enganamo-nos e muito. Agora a maioria já possui o seu próprio telemóvel, e mesmo não sabendo tirar partido de todas as suas funcionalidades, fazem o mais essencial: manter o contacto. E é por este motivo que eles não largam este pequeno objecto que se tornou valioso aos olhos deles. Pelo menos é assim que a minha avó o vê, e é assim que a maioria dos idosos que vou cuidando o vêem também!

Uma destas noites enquanto trabalhava, estava eu a ajudar uma senhora a instalar-se na cama e a chegar-lhe as coisas para mais perto dela, inclusive o dito telemóvel a seu pedido, e comentei com ela o seguinte: como era engraçado que antigamente viviam sem telefones e agora não vivem sem. A senhora lá se riu me dando razão mas disse que aquilo é o que lhe permitia não estar tão só actualmente, é o que lhe permitia manter o contacto.

Depois do que me disse reflecti e cheguei à seguinte conclusão: o melhor é largarmos um pouco os nossos telemóveis (aos quais andamos colados) enquanto podemos, e aproveitar ao máximo a companhia uns dos outros, porque um dia quando ficarmos velhos e ninguém quiser saber de nós vamos ter muito tempo para estar com o telemóvel...

17
Jul15

Pedaços da História

Há mais de dois anos que trabalho directamente com idosos, o que além de aprender imenso com eles há experiências que me vão marcando. Das experiências pelas quais eu vou passando, uma das quais eu gosto muito é a de lidar de perto com centenários! Já foram mais que os dedos de uma mão os que tive a felicidade de conhecer.

A maioria deles não aparentam ter um século de vida em cima dos ombros, pelo que muitas das vezes fico boquiaberta quando lhes descubro a data de nascimento. 

A minha cabeça dá largas à imaginação perto destas pessoas. Penso na longevidade que as suas vidas tomaram e tudo aquilo que terão feito, tudo aquilo que terão vivido e tudo aquilo que terão sido, pelo que o meu respeito por estas pessoas não tem limite.

Há uns tempos contactei com uma senhora de 105 anos, que para mim foi das mais queridas que conheci até hoje. De baixa estatura, cabelos brancos e riso sempre pronto a ser lançado da sua boca, é com ternura que a guardo na minha memória. Recordo-me de ela me ter pedido ajuda para se deslocar da cadeira para a cama, pois apesar de ter mais de cem anos ela apenas precisava de uma pequena ajuda. Ajudei-a então, e quando ficamos em pé as duas, disse-lhe "Parece que vamos dançar!", e ela com o seu querido riso me respondeu "Só se for uma Polka!", e aí desatamos as duas a rir.

Quando vejo que há pessoas com menos de metade da idade desta senhora, mal com tudo e com todos, e ela no alto dos seus 105 anos com uma energia contagiante, só penso que o mundo está perdido. Felizmente existem estes pedaços da História, que nos ensinam imenso e nos fazem olhar a vida de outra maneira.

08
Jun15

O amor na terceira idade

Hoje venho partilhar um bonito momento que presenciei esta noite em mais um turno de trabalho. Actualmente trabalho directamente com idosos, o que sendo sinónimo de acompanhar, cuidar e até curar estas pessoas na última etapa das suas vidas, é também um meio de aprender imenso com elas.

Esta noite fui chamada a um quarto onde se encontra um casal hospitalizado. Preocupada a senhora veio chamar-nos para ajudarmos o seu marido, pois este tinha caído quando tentava deslocar-se para a casa de banho. Enquanto verifiquei se estava tudo bem com o senhor e o acompanhei à casa de banho, a senhora sentada na cama começou a chorar. Confessou-me que os dois estão hospitalizados porque o seu marido caiu em casa várias vezes e ao tentar ajudá-lo acabou por se magoar nas costas. Ao dizer-me isto mostrou-se mentalizada que precisam de ajuda pois já não têm vinte anos. Entretanto fui buscar o senhor à casa de banho e ao sair da porta este dirigiu-se não para a sua cama, mas para a sua esposa que ele viu que estava a chorar. E foi aqui que presenciei um momento muito bonito que me conseguiu emocionar. O senhor foi dar um beijo demorado na boca da senhora, dando-lhe a mão, em jeito de reconfortá-la após a sua enorme preocupação.

Por muito que descreva este momento, é impossível explicar o amor que eles conseguiram transmitir-me naqueles segundos. Um amor que perdura e que ultrapassa todas as barreiras que a vida nos vai colocando pela frente! Quem é que não quer um amor assim? ♥

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